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Nascida da divisão da península Coreana após a II Guerra Mundial, a Coréia do Sul consegue em poucas décadas grande desenvolvimento econômico . Entre 1980 e 1993 estima-se que seu PIB tenha crescido em média 9,1% ao ano, uma das taxas mais altas do mundo. É um dos Tigres Asiáticos. Grande exportadora de carros, produtos eletrônicos e componentes para computador, a Coréia do Sul controla atualmente 45% do mercado mundial de construção naval. Mantém 35 mil soldados norte-americanos em seu território desde 1953, quando termina a Guerra da Coréia, e ainda vive em tensão constante com a vizinha Coréia do Norte.
Fatos Históricos
A Coréia do Sul compartilha 2 mil anos de história com a Coréia do Norte. O Estado sul-coreano surge em maio de 1948, quando a zona ocupada pelos EUA, na metade sul da península Coreana, é transformada em um país independente, sob a Presidência do líder nacionalista Syngman Rhee. Em 1950, o Estado é invadido pela Coréia do Norte, dando início à Guerra da Coréia, que dura até o armistício de 1953.
Regime militar – Rhee permanece no poder até 1960, quando renuncia em meio a protestos e acusações de corrupção. Seu sucessor, Chang Myon, é derrubado em maio de 1961, em um golpe militar liderado pelo general Park Chung Hee. Após um período conturbado no poder, em que é confirmado no cargo por eleições sob acusação de fraude, Park instaura uma ditadura militar em 1972, fechando o Parlamento e dissolvendo os partidos de oposição.
Massacre em Kwangju – A era Park, na qual o autoritarismo coexiste com a vertiginosa modernização industrial, termina com o assassinato do presidente em outubro de 1979. Um mês depois, o general Chun Doo-Hwan assume o poder, em um sangrento golpe militar. Protestos estudantis, em 1980, são respondidos com a decretação da lei marcial e a prisão dos líderes oposicionistas. A repressão a uma rebelião estudantil na capital provincial de Kwangju, em maio, mata mais de 200 manifestantes.
A economia sul-coreana mantém seu crescimento acelerado sob o regime de Chun. Em 1986 o país obtém, pela primeira vez, um saldo positivo em sua balança comercial. A partir daí, suas exportações crescem rapidamente.
Democratização – Um novo movimento de protestos, em 1987, obriga Chun a convocar eleições diretas para a escolha de seu sucessor em novembro. O candidato do governo, Roh Tae Woo, vence, beneficiado pelas divisões na oposição. As manifestações estudantis continuam durante o governo de Roh, exigindo a reunificação da Coréia e a retirada das tropas norte-americanas. Nas eleições legislativas de 1988 o governo perde o controle do Parlamento para uma aliança de partidos de oposição. No segundo semestre do mesmo ano um inquérito parlamentar comprova a corrupção nos altos escalões do governo. Acuado, Roh pede desculpa à nação, mas não renuncia à Presidência e desencadeia, em 1989, uma onda de repressão contra os opositores.
Em 1990, Roh volta a ter a maioria no Parlamento ao promover a fusão do partido do governo com oposicionistas, formando o Partido Democrático Liberal (PDL). Em 1992, o candidato de Roh, Kim Young-Sam, ganha as eleições presidenciais, com 41% dos votos. No começo de seu governo congela os salários e os produtos de primeira necessidade para conter a inflação, de 6,2%.
No início de 1994, a Coréia vive um clima de tensão com a Coréia do Norte diante da recusa do país vizinho em permitir a inspeção internacional de seus reatores nucleares. A crise é encerrada com os acordos de Pyongyang, com a presença dos EUA. Desde fevereiro de 1995 a Coréia do Sul não faz exercícios militares em conjunto com os EUA, medida que facilita uma aproximação com a Coréia do Norte.
Reformas anticorrupção – A Coréia do Sul, assim como outros Tigres Asiáticos, vive sob o signo da corrupção. O programa de reforma anticorrupção, lançado pelo primeiro presidente civil em três décadas, Kim Young-Sam, chega ao auge com a condenação de dois ex-generais presidentes em agosto de 1996: Chun Doo-Hwan e Roh Tae Woo, que também são julgados pelo envolvimento no golpe de Estado de 1979 e no massacre de Kwangju, em 1980. Chun, condenado por corrupção e conspiração, é sentenciado à forca, além de ser multado em US$ 290 milhões. Roh, seu sucessor, é condenado a 22 anos de prisão e multa de US$ 350 milhões por ter colaborado com o golpe militar. Em dezembro de 1996, o Tribunal de Recursos de Seul comuta a pena de morte de Chun para prisão perpétua, e Roh tem sua pena reduzida de 22 para 17 anos de prisão. Nas eleições legislativas de abril de 1996, o Partido Nova Coréia (ex-PDL), do presidente Kim, mantém-se no poder, mas perde a maioria parlamentar.
Greves – Em janeiro de 1997, os trabalhadores iniciam uma série de protestos e greves contra a nova legislação trabalhista, aprovada na madrugada do dia 26 de dezembro, em uma sessão semi-secreta, sem a presença de parlamentares da oposição. As leis acabam com a estabilidade no emprego, permitem reduzir salários e fazer contratações temporárias. Com boa parte das indústrias locais paralisada e prejuízo de US$ 2 bilhões, o governo recua e, em março, o Parlamento aprova nova lei adiando para 1999 a cláusula que facilita as demissões.
Em fevereiro, o primeiro-ministro, Lee Soosung, renuncia e é substituído em 4 de março por Koh Gun.